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13 de agosto de 2021

Orquestra Sinfônica Municipal e Coro Lírico estreiam em São Paulo cantata de João Guilherme Ripper em espetáculo com indígenas da etnia Kariri-Xocó

Em “Paisagens da Floresta”, OSM e Coro interpretam “Icamiabas”, composição que aborda mítica indígena do Amazonas, com participação da soprano Marly Montoni, do violoncelista Rafael Cesário e do Coro Lírico; espetáculo marcado para os dias 20, 21 e 22 de agosto terá abertura de grupo com ritual de danças e cantos e projeção de obras do artista Ibã Huni Kuin; ingressos já estão à venda (clique aqui) e custam a partir de R$10.

O Theatro Municipal de São Paulo segue de portas abertas às novas linguagens artísticas que se destacam pela diversidade, ampliando a sua programação com a série Novos Modernistas, que envolve os corpos artísticos da casa. Neste mês, a Orquestra Sinfônica Municipal (OSM) e o Coro Lírico apresentam o concerto Paisagens da Floresta, que marca a première da cantata concertante Icamiabas, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper (1959) na cidade de São Paulo, com participação de grupo indígena da comunidade Kariri-Xocó, se apresentando pela primeira vez no palco do Theatro Municipal. Os ingressos custam de R$ 10 a R$ 60 (inteiras) e devem ser adquiridos exclusivamente aqui.

Para interpretar a obra que João Guilherme Ripper escreveu para soprano e violoncelo, acompanhados por orquestra de cordas e coro feminino, a Sinfônica Municipal, em formação reduzida e sob regência de Roberto Minczuk, recebe a cantora Marly Montoni (soprano) e o celista Rafael Cesário. “É importantíssimo que a OSM, a orquestra oficial da cidade de São Paulo, desempenhe cada vez mais o seu papel de realizar grandes estreias musicais na cidade, ainda mais quando se trata de um dos mais importantes compositores brasileiros da atualidade e um tema essencial para toda a sociedade”, destaca Minczuk.

A música, com texto do paraense Paes Loureiro, autor do poema Romance das Icamiabas, refere-se às míticas guerreiras do Amazonas que habitavam as margens do Rio Nhamundá e constituíam uma tribo exclusivamente feminina. Nesta composição vocal-instrumental de Ripper, que também é professor e atual presidente da Academia Brasileira de Música, o termo “concertante” refere-se à escrita virtuosística da parte de violoncelo, que representa o elemento masculino no texto. O naipe feminino de vozes do Coro Lírico também se junta à Orquestra e aos solistas neste enredo que une as Icamiabas aos índios Guaracis para celebração de Jaci, a Lua, na noite da fertilidade que acontecia na serra Yacy-taperê (serra da lua). Ao amanhecer, as Icamiabas mergulhavam até o fundo do lago Yacy-uaruá (espelho da lua) para trazer o barro esverdeado com o qual modelavam muiraquitãs, que eram oferecidos como amuletos aos seus parceiros.

No dia 18, quarta-feira, Guilherme Ripper participa de um bate-papo virtual com a antropóloga indígena Julie Dorrico, escritora, pesquisadora e doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS. Mediado por Magda Pucci, musicista e diretora do grupo Mawaca, a live busca abordar a importância do encontro da música erudita com a pesquisa antropológica, o canto e os saberes tradicionais indígenas e o processo de construção do programa Paisagens na Floresta. Mais informações sobre o bate-papo podem ser encontradas aqui no site do Theatro Municipal (clique aqui).

Indígenas no palco do Municipal

Para a abertura do espetáculo Paisagens da Floresta, que terá direção cênica de Cristiane Paoli Quito, o grupo Warakdzà, da comunidade indígena Kariri-Xocó, sobe ao palco do Theatro Municipal de São Paulo pela primeira vez para apresentar suas tradições de canto, dança e brincadeiras. Formado por 15 integrantes – sendo nove homens e seis mulheres –, eles interpretam o Toré, uma música tradicional da etnia carregada de ritual mágico-espiritual que envolve performance corporal e música, unindo dança, religião, luta e brincadeiras.

Os Kariri-Xocó vivem na região do baixo São Francisco, no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas, e atualmente existe uma comunidade urbana da etnia que migrou para a zona norte de São Paulo, capital. Logo na sequência, antes ainda de Orquestra, solistas e Coro subirem ao palco, tem a exibição de uma projeção com obras do artista indígena Ibã Huni Kuin, com seu depoimento e canto que também serão apresentados ao público.

As apresentações presenciais no Complexo Theatro Municipal de São Paulo, abertas ao público, estão sendo realizadas com capacidade reduzida de até 30% da casa como medida para garantir a segurança das pessoas com o distanciamento entre os assentos. O Theatro também segue  todasas diretrizes das orientações do Plano São Paulo e da Prefeitura Municipal de São Paulo. Para assistir às apresentações dos grupos artísticos do Theatro Municipal de São Paulo, é necessário seguir os protocolos de segurança estipulados no Manual do Espectador.

 

Foto: Indígenas da etnia Kariri-Xocó.

Crédito: Ulysses Fernandes.