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Balé da Cidade de São Paulo – A Biblioteca de Babel

Theatro Municipal

13/02/2020 • 20h

Propondo uma relação entre os corpos, suas vivências e histórias, e os livros de uma biblioteca, o Balé da Cidade de São Paulo retoma o espetáculo A Biblioteca de Babel, que estreou em junho de 2019. Baseado no conto homônimo de Jorge Luis Borges, a obra tem ideia e o conceito geral de Ismael Ivo e Marcel Kaskeline, e coreografia de Ismael Ivo. Cada corpo é único, mas é sempre no diálogo e na relação com os outros que acontece a evolução. Para abrir a noite, a Escola de Dança de São Paulo apresenta o prólogo Como um Sopro, de Christiana Sarasidou. E numa ação de integração, nos dias 7, 8 e 9, o Ballet Paraisópolis executará trechos de coreografias próprias antes das apresentações de Babel. Além disso, em todas as datas, atores da SP Escola de Teatro se revezarão na leitura de trechos do conto A Biblioteca de Babel, de Borges. Essas intervenções artísticas acontecem no Saguão do Municipal.

 

Theatro Municipal de São Paulo – Sala de Espetáculos

 

A BIBLIOTECA DE BABEL

Prólogo – Como um Sopro

Escola de Dança de São Paulo
Christiana Sarasidou, coreografia

A Biblioteca de Babel

Balé da Cidade de São Paulo
Ismael Ivo e Marcel Kaskeline, ideia e conceito
Ismael Ivo, coreografia
Marcel Kaskeline, cenografia
Gabriele Frauendorf, figurinos
Marco Policastro, desenho de luz
Valentina Schisa e Elisabetta Violante, assistentes de coreografia

Duração aproximada: 90 minutos
Indicação etária: 14 anos
Ingressos: R$ 60 / R$ 30 / R$ 12 (vendas a partir de 13/01, às 12h)

Programação sujeita a alteração.

 

Nota de Programa

Em busca dos diálogos (im)possíveis

Em uma estante gigante, corpos-livros surgem arquivados logo no início de A Biblioteca de Babel, o mais novo espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo. Aos poucos, eles se abrem, se esticam, renascem. Quantos não sofrem para ganhar novas formas?

Como na Teoria da Evolução de Darwin, uma das referências estudadas pelo elenco, os mais fortes tendem a sobreviver, a escalar, a ficar em pé, a passar suas características aos descendentes. E tudo isso, na espécie humana, parece não ter fim: depende também da nossa capacidade de dialogar com o outro. Na coreografia idealizada pelo diretor Ismael Ivo em parceria com o cenógrafo Marcel Kaskeline, a luta desses corpos fica evidente em duos, trios e grupos que se chocam e se afastam – movimentação que, ao mesmo tempo, valoriza as características de cada bailarino. Aqui, os veteranos garantem seu lugar, como clássicos literários alimentados pela leitura, pelo olhar e pela energia dos mais novos.

Para criar o espetáculo, Ismael Ivo também partiu do célebre conto homônimo do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) presente no livro Ficções (1944). Nele, o autor discorre sobre uma biblioteca infinita, um universo de galerias apresentado em detalhes. Cada livro, assim como cada corpo em cena, carrega uma história. Mas, afinal, quem entende quem nesse jogo de existir? Nos duos, a luta se evidencia – até um cabo de aço é necessário para conduzir uma corrida sem-fim em busca do conhecimento. Ao som do taiko japonês e de interferências musicais como a da trilha do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, os desenhos de cena remetem o tempo todo aos desafios da comunicação, como no mito da Torre de Babel, destruída pelo vento, espalhando seres com línguas diferentes pelo mundo.

Em 2019, a companhia paulistana encerrou as comemorações dos seus 50 anos de existência reconhecida entre as mais importantes do país, sendo a Babel de Ivo a 216ª obra coreográfica do repertório. Com seu elenco sempre afiado, desta vez o BCSP nos faz viajar em busca de um possível entendimento diante dos mistérios da linguagem e da vida.

Katia Calsavara
Jornalista especializada em dança e atriz