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Liberdades Reinventadas

Nosso teatro está, novamente, aberto.

Nesse tempo singular e difícil que vem desafiando a todos, as artes foram especialmente atingidas, sobretudo as artes da cena, por sua natureza de compartilhamento ao vivo e agrupamento de pessoas. Por um lado, o universo virtual marcou uma via de resistência, permitindo o contato e as trocas entre público e artistas. Muitos foram os que desbravaram as possibilidades do cruzamento de linguagens propondo experiências criativas e assinalando o início de um caminho sem volta – a abertura de mais um espaço de programação, intermediado por telas e múltiplas interfaces, para um público disperso espalhado em vários lugares.

Mas a materialidade do conjunto, a ressonância das salas compartilhadas, as trocas dos olhares nos fazem falta. Retomar esse encontro com uma plateia restrita é o possível agora. Com uma programação feita por um número reduzido de artistas e técnicos nos palcos, com duração de tempo limitada, e, sobretudo, com o empenho e colaboração do público no que diz respeito ao cumprimento dos protocolos para garantir a segurança e tranquilidade de todos.

Os corpos artísticos do Municipal estão ávidos por voltar aos palcos e se apresentar ao vivo. Preparamos uma programação que responde ao inusitado do momento – as restrições impostas pela pandemia e o começo de uma nova direção do Complexo, dando início à gestão da organização social Sustenidos. Uma chegada com os pés um pouco fora do chão, em um contexto atípico, no qual priorizamos ampliar a escuta para perceber o que de fundamental pulsa dentro e fora do Theatro.

Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSM) realizará 11 programas que contemplam obras de mais de 15 compositores como Villa-Lobos, Villani-Côrtes, Schubert, Mozart, Schumann, Blauth, Brahms, Dvorak, Ives, Varèse, Debussy e Monteverdi. A Orquestra Experimental de Repertório (OER) apresenta sete programas, sob regência de Jamil Maluf, Guilherme Rocha e Thiago Tavares. A programação conta com convidados como a mezzo-soprano Denise de Freitas, a bandoneonistaMilagrosCaliva, os violinistas Alejandro Aldana e Claudio Micheletti e o pianista Lucas Thomazinho. Os programas contemplam compositores como Alberto Nepomuceno, Camargo Guarnieri, Brahms, Puccini e Mendelssohn.

Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, grupo formado pelo violista Marcelo Jaffé, pelos violinistas BetinaStegmann e Nelson Rios e pelo violoncelista Rafael Cesario, realiza sete concertos na Sala do Conservatório da Praça das Artes. A programação contempla obras do repertório popular e erudito e conta com convidados como o contrabaixista Thiago Hessel, o pianista Hércules Gomes e o cravista Fernando Cordella e um concerto especial em homenagem ao Piazzola com o bandoneonista Daniel Binelli, os pianistas Lilian Barreto e André Mehmari e Proveta.

Coro Lírico retoma as apresentações com a Missa da Coroação, de Wolfgang Amadeus Mozart, sob regência de Sérgio Wernec, além de apresentar o programa LiebesliederWalzer Op. 52, de Johannes Brahms, trazendo os pianistas Marcos Aragoni e Anderson Brenner como convidados. Participa da Cantata Concertante – Icamiabas de João Guilherme Ripper e de finaliza o ano com a ópera Amahl e os Visitantes da Noite, de Gian Carlo Menotti. O Coral Paulistano realiza o segundo concerto comemorativo dos seus 85 anos, sob regência de Maíra Ferreira, com repertório de obras de Murray Schafer, Juliana Ripke, Guilherme de Almeida, Antonio Ribeiro, Aylton Escobar, Lili Boulanger, EinojuhaniRautavaara e Eric Whitacre. Em novembro estará na ópera The Rake’sProgres e, em dezembro, apresenta o Vesprodella Beata Vergine, de Claudio Monteverdi, com a OSM.

Balé da Cidade de São Paulo retoma suas atividades com a reapresentação da coreografia A Casa, de Marisa Bucoff, em conjunto com a remontagem da coreografia Árvore do Esquecimento, de Jorge Garcia. Em outubro o grupo se apresenta na Praça das Artes, estreando duas coreografias inéditas de Henrique Rodovalho, com trilha sonora de Leo Justi e criação em vídeo de Cauã Csik,do coletivo Heavy Baile.

Dando continuidade ao projeto Novos Modernistas, com ênfase no cruzamento entre diferentes manifestações culturais e linguagens artísticas, convidamos aos palcos os povos originários, com suas fundamentais reflexões sobre nossa relação com o tempo e a natureza. Em agosto estarão conosco representantes dos Kariri-Xocó, em um programa que incluí uma intervenção em vídeo do artista IbãHuniKuin e a estreia paulistana da obra Icamiabas – Cantata Concertante de João Guilherme Ripper, com a Orquestra Sinfônica Municipal e regência do maestro Roberto Minczuk.

Em setembro, uma intervenção urbana em parceria com o movimento Pimpmy Carroça  que atua para tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade por meio da arte, sensibilização, tecnologia e participação coletiva – e com o coletivo BijaRI levará o repertório lírico para lugares inusitados da cidade.

Duas das óperas da temporada serão apresentadas nos meses de setembro e novembro, trazendo a perspectiva da jornada de aprendizagem a partir das tensões entre indivíduo e sociedade. A história da prostituta Maria de Buenos Aires, com música de AstorPiazzolla e libreto de Horacio Ferrer, será contada pelas lentes do cineasta Kiko Goifman, utilizando técnicas de cinema ao vivo.  Já The Rake’sProgress, de Igor Stravinsky, a partir da trajetória de um jovem libertino na cidade de Londres, será codirigida por Maria Thais e Julianna Santos.

Em outubro, aproveitando o ensejo do último média metragem lançado por Pedro Almodóvar, a OSM apresenta a ópera A Voz Humana, com libreto de Jean Cocteau, música de Francis Poulenc, direção cênica de André Heller-Lopes e interpretação da solista Rosana Lamosa, seguida da performance Ópera aberta para cantora e halterofilista, de Gilberto Mendes.

No dia 12 de setembro o Municipal completa 110 anos e, para comemorar a data, convidamos os artistas Daniela Thomas e Felipe Hirsch para criarem uma instalação junto aos artistas da casa – um percurso nas dependências no teatro, um espetáculo-exposição que nos leve a outros tempos, para ser especialmente compartilhada com o público até o final de outubro.

Durante a semana das crianças teremos um programa especial trazendo ao palco a Orquestra Experimental de Repertório apresentando Pedro e o Lobo, com a regência do maestro Jamil Maluf e a participação do Grupo Giramundo que comemora os seus 50 anos com uma incursão no universo do vídeo e animações a partir do seu extenso repertório de teatro de bonecos. Um convite aos grandes e pequenos que apreciam a boa música e novas experiências imagéticas.

Reafirmando a importância do projeto Teatro no Theatro, apresentaremos produções teatrais entre setembro e dezembro, com ênfase inicial nas experimentações formais que se desenvolveram durante a pandemia, enquanto aguardamos o bom momento para voltar a apresentar ao público espetáculos teatrais mensais.

As visitas educativas também foram retomadas e os agendamentos são feitos exclusivamente pelo site.

Para além dos espaços do Complexo, as produções do Municipal irão ao encontro do público em outras salas da cidade, em espaços abertos e também diferentes cidades, garantindo assim um acesso mais amplo e democrático a um maior número de pessoas. A programação do Municipal além do teatro será divulgada em nossas redes e poderá ser conferida no site.

Convidamos o público a se reinventar conosco e revigorar as forças necessárias para atravessar tempos ainda difíceis. Seguimos atentos para que nesse momento de incertezas possamos resguardar nossos ideais democráticos e garantir a liberdade de criação e expressão aos artistas, ao público e a todos os cidadãos.

Ao vivo e online aguardamos vocês neste espaço que é de São Paulo, para todos.

Andrea Caruso Saturnino
Diretora Geral

Sustenidos e o Theatro Municipal de São Paulo

Em 1997 foi criada, por representantes da sociedade civil, uma associação de amigos com o intuito de apoiar e potencializar as atividades do Projeto Guri, uma política pública de ensino musical do Estado de São Paulo. Seus fundadores, liderados pela psicanalista Melanie Farkas, eram pessoas com um profundo senso da importância de políticas inclusivas e abrangentes, que acreditavam no poder da cultura como ferramenta de desenvolvimento de indivíduos e coletivos. Em 2004, esta associação foi qualificada como Organização Social de Cultura e celebrou o primeiro contrato de gestão com o Governo do Estado de São Paulo para gerir o Projeto Guri. 

Quase 25 anos após sua criação, tendo proporcionado ensino musical gratuito a mais de 800.000 crianças, adolescentes e jovens em cerca de 280 municípios paulistas, a Sustenidos se consolida como a maior organização social de cultura do país ao assumir a gestão do Conservatório Dramático Musical Dr. Carlos de Campos (Tatuí), ao final de 2020, e do Complexo Theatro Municipal, em junho de 2021. 

Para fazer frente ao desafio de gerir uma instituição de tamanha complexidade, a Sustenidos traz na bagagem sua larga experiência em parcerias com entes públicos e  na articulação de diferentes instâncias da sociedade para o atingimento de resultados, sempre pautada pelo diálogo, pela transparência e pela eficácia na utilização dos recursos. 

A proposta da Sustenidos para a gestão do Complexo Theatro Municipal pretende romper a falsa dicotomia entre excelência artística e a democratização do acesso à cultura. Acreditamos que um polo cultural desta magnitude só pode atingir seu pleno potencial se estiver permanentemente comprometido com a busca pela qualidade, ao mesmo tempo em que possibilita a fruição estética a uma gama diversificada de público, no que diz respeito a faixas etárias e perfil social.

A Sustenidos reconhece e reafirma a vocação do Theatro Municipal como uma casa de ópera, concerto e dança. Adicionalmente, em alinhamento com a política cultural do município, consideramos possível e necessária a transversalidade com outros estilos musicais e outras linguagens como o cinema, as artes visuais, a literatura, o circo e o teatro, bem como o intercâmbio com outras instituições culturais. O compromisso com a diversidade também deverá se refletir na escolha dos(as) artistas e das temáticas com as quais trabalharemos durante toda a programação. Nossa atuação enfatizará, ainda, o trabalho dos bastidores, fortalecendo a gestão e visibilidade do acervo histórico, o setor educativo e revitalizando a Central Técnica de produções Chico Giacchieri. 

Esperamos que esta abordagem múltipla, que pretende fortalecer os alicerces de uma instituição com mais de um século de existência, possibilite, inversamente, um movimento de expansão das atividades do teatro para novas audiências e novos territórios. Que este espaço se consolide como a casa de mentes investigativas e criativas, sendo capaz de provocar em seu público sentimentos de surpresa, comoção, diversão e, sobretudo, disposição para construir uma sociedade mais fraterna e justa. 

SUSTENIDOS
ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE CULTURA