Uma noite especial com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, apresentando obras de grandes compositores brasileiros como Silvia Goes, Eunice Katunda e Claudio Santoro. Um tributo à música nacional e suas raízes.
SILVIA GOES
Suite Chiquinha Gonzaga (dedicado ao Quarteto da Cidade)
EUNICE KATUNDA
Seresta Piracicaba (dedicado ao Quarteto da Cidade)
CLAUDIO SANTORO
Quarteto nº 3 (estreiado pelo Quarteto da Cidade)
Betina Stegmann e Nelson Rios, violinos
Marcelo Jaffé, viola
Rafael Cesario, violoncelo
A pianista e compositora Silvia Goes (1947), musicista muito atuante na cena paulistana, abriu caminhos no universo ainda predominantemente masculino da música instrumental e do jazz. Colaborou com músicos como Dori Caymmi, Toninho Horta, Toquinho e Hermeto Pascoal e, em sua carreira, já fez um pouco de tudo: tocou violão, piano, compôs trilhas, gravou em estúdio, atuou como arranjadora de discos, festivais de música e programas de rádio e TV, além de se dedicar à docência e publicar livros sobre música. Em 2022, essa musicista múltipla homenageou outra mulher pioneira: Chiquinha Gonzaga (1847-1935).
Chiquinha enfrentou todo tipo de obstáculos para se profissionalizar como compositora e maestra à sua época, tanto por ser mulher como por sua ascendência negra. Sua obra transita entre o clássico e o popular, com polcas, valsas e tangos brasileiros que contribuíram com a origem do choro. Na Suíte Chiquinha Gonzaga, escrita especialmente para o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo em 2022, Silvia Goes propõe uma visita à obra dessa mulher inspiradora, com movimentos de títulos sugestivos que aludem à sua trajetória.
Eunice Katunda (1915-1990) foi outra compositora à frente do seu tempo. Pianista concertista, atuou também na rádio (tocando, arranjando e sendo apresentadora) e na educação infantil, sempre promovendo a produção contemporânea brasileira. Estudou com Camargo Guarnieri, apoiador do projeto nacionalista de Mário de Andrade, que pregava a criação de uma arte inspirada em nossas raízes populares; e depois com Hans-Joachim Koellreutter, integrando o grupo Música Viva, liderado por ele, que propunha um alinhamento da produção musical brasileira às tendências vanguardistas internacionais, como o dodecafonismo e o atonalismo. Transitando entre esses dois polos e outros interesses particulares, a produção de Katunda é multifacetada e desafia classificações.
A Seresta Piracicaba, de 1965, passeia por ritmos de gêneros tradicionais do interior paulista, que a compositora ouviu dos violeiros e estudou em visitas à cidade entre 1946-1949. Escrita originalmente para piano, a peça foi adaptada para quarteto de cordas (formação para a qual Katunda não compôs) por Matheus Bitondi em 2022, para as celebrações em torno dos cem anos da Semana de Arte Moderna.
Outro aluno de Koellreutter foi o amazonense Claudio Santoro (1919-1989), sendo um dos membros mais ativos do movimento Música Viva. Laureado na juventude com uma bolsa da Fundação Guggenheim, foi impedido de entrar nos Estados Unidos por sua militância no Partido Comunista, indo então a Paris para estudar com ninguém menos que Nadia Boulanger, cobiçada professora que formou uma infinidade de grandes nomes da nova geração. Nesse período, participou do II Congresso de Compositores Progressistas, em Praga, onde teve contato com as doutrinas do Realismo Soviético.
Voltou ao Brasil decidido a abandonar as tendências vanguardistas e se dedicar a uma arte nacionalista. O Quarteto no 3 (1954), estreado pelo Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, é do início dessa nova fase estética, incorporando elementos de inspiração popular ora na rítmica, ora no caráter seresteiro.
Uma noite especial com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, apresentando obras de grandes compositores brasileiros como Silvia Goes, Eunice Katunda e Claudio Santoro. Um tributo à música nacional e suas raízes.
A pianista e compositora Silvia Goes (1947), musicista muito atuante na cena paulistana, abriu caminhos no universo ainda predominantemente masculino da música instrumental e do jazz. Colaborou com músicos como Dori Caymmi, Toninho Horta, Toquinho e Hermeto Pascoal e, em sua carreira, já fez um pouco de tudo: tocou violão, piano, compôs trilhas, gravou em estúdio, atuou como arranjadora de discos, festivais de música e programas de rádio e TV, além de se dedicar à docência e publicar livros sobre música. Em 2022, essa musicista múltipla homenageou outra mulher pioneira: Chiquinha Gonzaga (1847-1935).
Chiquinha enfrentou todo tipo de obstáculos para se profissionalizar como compositora e maestra à sua época, tanto por ser mulher como por sua ascendência negra. Sua obra transita entre o clássico e o popular, com polcas, valsas e tangos brasileiros que contribuíram com a origem do choro. Na Suíte Chiquinha Gonzaga, escrita especialmente para o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo em 2022, Silvia Goes propõe uma visita à obra dessa mulher inspiradora, com movimentos de títulos sugestivos que aludem à sua trajetória.
Eunice Katunda (1915-1990) foi outra compositora à frente do seu tempo. Pianista concertista, atuou também na rádio (tocando, arranjando e sendo apresentadora) e na educação infantil, sempre promovendo a produção contemporânea brasileira. Estudou com Camargo Guarnieri, apoiador do projeto nacionalista de Mário de Andrade, que pregava a criação de uma arte inspirada em nossas raízes populares; e depois com Hans-Joachim Koellreutter, integrando o grupo Música Viva, liderado por ele, que propunha um alinhamento da produção musical brasileira às tendências vanguardistas internacionais, como o dodecafonismo e o atonalismo. Transitando entre esses dois polos e outros interesses particulares, a produção de Katunda é multifacetada e desafia classificações.
A Seresta Piracicaba, de 1965, passeia por ritmos de gêneros tradicionais do interior paulista, que a compositora ouviu dos violeiros e estudou em visitas à cidade entre 1946-1949. Escrita originalmente para piano, a peça foi adaptada para quarteto de cordas (formação para a qual Katunda não compôs) por Matheus Bitondi em 2022, para as celebrações em torno dos cem anos da Semana de Arte Moderna.
Outro aluno de Koellreutter foi o amazonense Claudio Santoro (1919-1989), sendo um dos membros mais ativos do movimento Música Viva. Laureado na juventude com uma bolsa da Fundação Guggenheim, foi impedido de entrar nos Estados Unidos por sua militância no Partido Comunista, indo então a Paris para estudar com ninguém menos que Nadia Boulanger, cobiçada professora que formou uma infinidade de grandes nomes da nova geração. Nesse período, participou do II Congresso de Compositores Progressistas, em Praga, onde teve contato com as doutrinas do Realismo Soviético.
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