O Ato de Publicação da n-1 edições apresentará o lançamento do novo livro da Coleção Reviravoltas: QUASIDEIAS – conversas fora de lugar, de Eduardo Viveiros de Castro, que contará com a presença do autor em diálogo com Eduardo Sterzi e mediação de Veronica Stigger.
Sobre a Coleção Reviravoltas:
Quando o mundo se torna a cada dia mais hostil, é preciso desviar a flecha do tempo, fazer com que ela chegue ao outro lado do futuro. Uma reforma agrária do pensamento: uma outra cartografia dos territórios existenciais, uma outra geologia do transcendental. Os textos da REVIRAVOLTAS — uma coleção que, como diria o filósofo, inclina, sem necessitar — convidam os leitores-viajantes a se juntar à tarefa que hoje se impõe a todos nós, a de despredizer a catástrofe e retomar o sentido da terra.
Sobre o livro “Quasideias – conversas fora de lugar”
Está na hora (não sou o primeiro a dizer isso) de dizer com todas as letras que a antropologia precisa pensar com o pensamento indígena, e não simplesmente sobre o pensamento indígena. Tomar esse pensamento como interlocutor à altura do pensamento antropológico, e não como algo que está em posição de objeto, e você ali em atitude de sobrevoo, em posição de dominância sobre esse pensamento.
[A] noção de “direito de consulta” não é lá muito clara quanto ao que acontece quando a “comunidade”, uma vez consultada, recusa terminantemente o que lhe foi proposto como objeto da consulta. E se os indígenas, ao serem ouvidos, não quiserem nem ouvir falar? O que acontece?
[U]m certo mundo já acabou para essas pessoas, como acabou o mundo dos povos indígenas a partir de 1492. E não obstante, essas pessoas e esses povos resistem. Não obstante, existe felicidade ali. Não obstante, há miséria, fome, medo. Não obstante. Talvez “não obstante” seja a melhor definição da palavra “vida”.
Sobre o autor
Eduardo Viveiros de Castro é um antropólogo brasileiro, conhecido por sua crítica às concepções eurocêntricas na antropologia e pelo estudo das cosmologias indígenas, especialmente nas sociedades amazônicas. Entre suas contribuições teóricas mais significativas está a noção de “perspectivismo”, que postula que diferentes seres — humanos, animais e espíritos — percebem e experimentam o mundo de maneiras distintas, com cada uma dessas perspectivas sendo igualmente válidas. Essa abordagem sugere que as cosmologias indígenas oferecem uma forma de entendimento que desafia a hierarquia ontológica comum na tradição ocidental, enfatizando a interconexão e a relação entre todos os seres.
Participação:
Eduardo Sterzi e Eduardo Viveiros de Castro
Medição:
Veronica Stigger
O Ato de Publicação da n-1 edições apresentará o lançamento do novo livro da Coleção Reviravoltas: QUASIDEIAS – conversas fora de lugar, de Eduardo Viveiros de Castro, que contará com a presença do autor em diálogo com Eduardo Sterzi e mediação de Veronica Stigger.
Participação:
Eduardo Sterzi e Eduardo Viveiros de Castro
Medição:
Veronica Stigger
Sobre a Coleção Reviravoltas:
Quando o mundo se torna a cada dia mais hostil, é preciso desviar a flecha do tempo, fazer com que ela chegue ao outro lado do futuro. Uma reforma agrária do pensamento: uma outra cartografia dos territórios existenciais, uma outra geologia do transcendental. Os textos da REVIRAVOLTAS — uma coleção que, como diria o filósofo, inclina, sem necessitar — convidam os leitores-viajantes a se juntar à tarefa que hoje se impõe a todos nós, a de despredizer a catástrofe e retomar o sentido da terra.
Sobre o livro “Quasideias – conversas fora de lugar”
Está na hora (não sou o primeiro a dizer isso) de dizer com todas as letras que a antropologia precisa pensar com o pensamento indígena, e não simplesmente sobre o pensamento indígena. Tomar esse pensamento como interlocutor à altura do pensamento antropológico, e não como algo que está em posição de objeto, e você ali em atitude de sobrevoo, em posição de dominância sobre esse pensamento.
[A] noção de “direito de consulta” não é lá muito clara quanto ao que acontece quando a “comunidade”, uma vez consultada, recusa terminantemente o que lhe foi proposto como objeto da consulta. E se os indígenas, ao serem ouvidos, não quiserem nem ouvir falar? O que acontece?
[U]m certo mundo já acabou para essas pessoas, como acabou o mundo dos povos indígenas a partir de 1492. E não obstante, essas pessoas e esses povos resistem. Não obstante, existe felicidade ali. Não obstante, há miséria, fome, medo. Não obstante. Talvez “não obstante” seja a melhor definição da palavra “vida”.
Sobre o autor
Eduardo Viveiros de Castro é um antropólogo brasileiro, conhecido por sua crítica às concepções eurocêntricas na antropologia e pelo estudo das cosmologias indígenas, especialmente nas sociedades amazônicas. Entre suas contribuições teóricas mais significativas está a noção de “perspectivismo”, que postula que diferentes seres — humanos, animais e espíritos — percebem e experimentam o mundo de maneiras distintas, com cada uma dessas perspectivas sendo igualmente válidas. Essa abordagem sugere que as cosmologias indígenas oferecem uma forma de entendimento que desafia a hierarquia ontológica comum na tradição ocidental, enfatizando a interconexão e a relação entre todos os seres.
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