Balé da Cidade de São Paulo estreia temporada com coreografia de Morena Nascimento inspirada em Caetano Veloso

“Além das canções das quais me fascinam, gosto de observar o corpo de Caetano em movimento – quando canta, gesticula, responde uma entrevista. Para mim ele está o tempo todo dançando mesmo que não esteja.”

O primeiro programa desta Temporada é inspirado num artista único e de inestimável valor intelectual e poético, Caetano Veloso, que já foi traduzido e interpretado por tantos artistas e agora ganha uma representação na dança. Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano estreia no dia 15 de março, às 20h, no Theatro Municipal de São Paulo.

O espetáculo é assinado pela coreógrafa Morena Nascimento, com direção musical do músico e historiador Cacá Machado, figurinos de Isadora Gallas, cenografia de Marcel Kaskeline, iluminação de Aline Santini, Visagismo de Luiz Parisi, dramaturgia de Vadim Nikitin e consultoria de José Miguel Wisnik. As apresentações seguem nos dias 16,17,22,23,24 e 25, às 20h. A exceção acontece no dia 18, quando começa mais cedo às 18h.

“Desde o início do ano passado, quando Ismael Ivo chegou à direção do Balé da Cidade de São Paulo e assinou a coreografia ‘Risco’, a companhia entrou numa nova fase: mais criativa, ousada e intensa. Os resultados foram aparecendo ao longo do ano e chegam, neste ano, a uma fase mais madura com ótima resposta do público, que comparece aos espetáculos com calorosos aplausos”, destaca o secretário André Sturm.

Este programa do Balé da Cidade simboliza a união de um trabalho coletivo, pois reúne muitas mentes criativas em torno de uma produção que celebra uma trajetória artística sem recorrer a uma proposta autobiográfica ou representar uma tentativa de retratar um momento histórico da vida do Caetano.

Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano tem uma intensa liberdade poética. “Não estamos presos a nenhum pressuposto ou recorte histórico de sua carreira. Buscamos nas músicas de Caetano o que nos afeta e se relaciona com o momento que estamos vivendo. Criamos um grande ritual,  incorporando e assimilando a poética de Caetano, transformando-a em nossa fala no corpo, do nosso jeito. As coreografias são o resultado desse exercício de devorar e ser o que se devora” afirma Morena Nascimento.

Estreando no Balé da Cidade de São Paulo, Morena é um dos destaques da nova geração da dança contemporânea. A passagem por um dos maiores grupos de dança do mundo, TanzTheater Wuppertal de Pina Bausch, e o fortalecimento de seu trabalho autoral nos últimos sete anos no Brasil provoca ainda mais o interesse do público por suas criações.

O Convite para este trabalho partiu do diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo, que uniu duas de suas admirações no mesmo programa. “Sou um admirador do universo poético e musical do Caetano Veloso. O mesmo nível de admiração me relaciona com universo criativo do grande gênio da dança Pina Bausch. A Morena Nascimento tem suas origens e experiência no berço da famosa companhia da coreógrafa alemã. Mas muito além disso, possui um impressionante nível de presença corporal e expressão artística”, afirma.

Para Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano, a coreógrafa manteve o seu método de criação híbrido e se deixou guiar por sua inspiração nas músicas, no gestual do artista brasileiro e no elenco do Balé da Cidade de São Paulo, no qual ficou impressionada pelo vigor e entrega dos bailarinos.
“Além das canções das quais me fascinam, gosto, particularmente, de observar o corpo de Caetano em movimento – quando canta, gesticula, responde uma entrevista. Para mim ele está o tempo todo dançando mesmo que não esteja. A gama gestual que o seu corpo nos apresenta é tão rica e me diz tanta coisa que quase não preciso ouvir as canções ”, se diverte Morena.

A coreógrafa também se debruçou sobre as referências que estão em torno da arte e da vida do artista, passando pela dança de Maria Esther Stockler, os filmes de José Agripino, Frederico Felini, Almodóvar, Maria Betânia, Astor Piazzola, temas como funk, grandes metrópoles, negritude, sexo e gênero, exílio, tropicália. Além disso, Morena se guiou por suas próprias relações afetivas com a Bahia, lugar onde freqüentou intensamente desde sua infância por ter um pai baiano.

A produção também se volta à cidade de Santo Amaro, na Bahia, terra natal de Caetano e referencia traços do cotidiano do artista que tanto o influenciaram antes dele se tornar famoso, como o rádio e as idas ao cinema. Para a trilha, algumas composições do artista foram sampleadas com o objetivo de criar novas peças musicais. “Com a mesma liberdade que o artista criou, por exemplo, em seu disco experimental Araçá Azul, invadi suas canções cortando, recortando, alterando andamentos, picths, criando reversos, adicionando efeitos, incluindo samplers de outros artistas e gravações originais
compostas por mim”, diz Cacá Machado responsável pela direção musical.

Para exemplificar esse processo de recortes, em um trecho do espetáculo, a canção “Nicinha (Caetano Veloso)”, música feita pelo artista para a sua irmã mais velha (Nicinha) se juntará aos samplers de outra composição sua, Alguém Cantando, na voz da própria irmã, somada à canção Vento, também dele, na
interpretação de Gal Cost. Já a cenografia será assinada por Marcel Kaskeline que entrou em contato com a obra do Caetano pela primeira vez após o convite para o trabalho.

“O modo específico dele parece mais a transformação em poesia. Tudo o que ele toca, seja tristeza, raiva, solidão, alegria, amor, torna-se poético”, explica. No palco, Marcel irá explorar o ponto de vista sobre a transformação. No cenário, uma casa dará a impressão que está se deteriorando. “Este espaço que uma vez deu proteção torna-se uma ruína. Mas, ao mesmo tempo, o lugar não se torna mais bonito? Não existe mais poesia nesta imagem ambivalente?”, indaga.

O figurino de Isadora Gallas é inspirado nas composições, nos aspectos de cidade. As tonalidades neon vão fazer uma referência ao axé, os tons mais lavados referenciam as cores das casas do recôncavo baiano, onde está a cidade de Santo Amaro. “Tem transparência para que as cores se transformem
em outras, seguindo a intensidade da luz no palco. Além disso, a modelagem foi pensada no projeto do cenário que usa vento. Por isso teremos roupas amplas para que o vento desenhe os corpos”, explica.

Os ingressos para Um Jeito de Corpo – Balé Dança Caetano variam de R$ 20 a R$ 40 e estão disponíveis na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo ou pelo site eventim.com.br.
Serviço:
Um Jeito de Corpo
Ideia e Conceito Geral: Ismael Ivo

Coreografia: Morena Nascimento
Assistente de Coreografia: Camila Bosso
Dramaturgia: Vadim Nikitin e Guilherme Wisnik
Música: Caetano Veloso
Direção Musical: Cacá Machado
Assistente de Direção Musical: Mariana Lima
Consultoria: José Miguel Wisnik
Espaço Cênico: Marcel Kaskeline
Assistente de Cenografia: Luciana Bueno
Desenho de Luz: Aline Santini
Assistente de Iluminação: Nicolas Caratoni
Figurino: Isadora Gallas
Assistente de Figurino: Juliana Andrade
Visagismo: Luiz Parisi

Ensaiadoras: Carolina Franco, Roberta Botta

Intérpretes
Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila
Ribeiro, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro,
Fernanda Bueno, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Igor Vieira, Isabela Maylart,
Jaruam Miguez, Jessica Fadul, Joaquim Tomé, Julie Endo, Leonardo Hoehne
Polato, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Marina
Giunti, Marisa Bucoff, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Thaís França, Uátila
Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam, Vivian Navega Dias, Yasser
Díaz

Ficha técnica do Balé da Cidade de São Paulo

Direção Artística: Ismael Ivo
Assistente de Direção: Fabio Mazzoni
Coordenação Artística: Fernando Machado
Assistentes de Coreografia: Carolina Franco, Roberta Botta
Professor de Balé Clássico: Liliane Benevento
Professor de Yoga: Lucas Ribeiro
Pianista: Beatriz Francini

Bailarinos: Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno
Rodrigues, Camila Ribeiro, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara,
Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Igor Vieira,
Isabela Maylart, JaruamMiguez, Jessica Fadul, Joaquim Tomé, Julie Endo,
Leonardo HoehnePolato, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel
Anselmé, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi,
ReneéWeinstrof, Thaís França, Uátila Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria
Oggiam, Vivian Navega Dias, Yasser Díaz.

Produção Executiva: Willian Alexandrino
Assistente de Produção: Paloma Neves
Direção Técnica e Direção de Cena: Danior Carreira
Coordenação de Projetos Didáticos e Acervo: Raymundo Costa
Coordenação Administrativa: José Hilton Jr.
Iluminação: Sueli Matsuzaki
Sonoplastia: Leandro Lima
Coordenação de Figurino: Juliana Andrade
Assistente de Coordenação de Figurino: Gabriela Araujo
Maquinista/Contra Regra: Alessander Rodrigues, Enéas Rodrigues
Secretaria: Doralice de Queiroz
Auxiliar Administrativa: Fabiana Vieira Rezende

Theatro Municipal

Praça Ramos de Azevedo, s/nº
Sé - São Paulo, SP
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Bilheteria 55 11 3053 2090
Horário de atendimento Segunda a sexta, 10h às 19h
Sábado e domingo, 10h às 17h

Praça das Artes

Avenida São João, 281
Sé - São Paulo, SP
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Telefone 55 11 4571 0401
Horário de atendimento 7h às 19h
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